sábado, 11 de dezembro de 2010

life

Ultimamente não tenho tido grande imaginação e criatividade, acho que por já não ter a fonte de inspiração que tinha e por ter mudado, um pouco a minha maneira de agir em algumas situações.
A escrita pode ser um grande refúgio para quem prefere escrever a falar com alguém, como eu preferia há um ano e acho que continuo a preferir mas percebi que não vale a pena guardar-mos tudo para nós e que também faz bem partilhar com as pessoas em quem confiamos tudo. Ao ver alguns textos com mais de um ano reparo que praticamente todos têm o mesmo sentimento, que me tem feito pensar bastante desde que despertaste em mim emoção e sentimento. Provavelmente antes de te conhecer, antes de estar apaixonada por ti, porque para mim vais ser sempre o primeiro, não só aquele por quem me apaixonei, ou pelo menos assim o digo, mas também aquele com quem consegui partilhar momentos importantes na minha vida, ambições, tristezas, conselhos, risos, mesmo que pessoalmente não tenhamos agido dessa forma acredito que fomos construindo pelo menos uma amizade. Fico triste em pensar que hoje a amizade existe mas não tão forte como antes, em pensar que não superámos os nossos “medos” e os nossos objectivos em conseguirmos ter uma relação sem ser virtual.
Sei que passámos bastantes momentos bons mas que também houve momentos menos bons, onde eu te tentava dizer o que sentia através de textos ou poemas.
Apesar de não gostar da ideia de voltar atrás, porque da forma que agi, disse foi como eu quis, pelo menos na altura, se tivesse essa hipótese acho que hoje em dia não seria bem assim, mudava as formas como agia, enfrentava todos os meus receios. Mas afinal o que posso prometer com catorze anos? Uma vida junta durante o resto da minha vida? Prometer-te a perfeição que não existia? Agi com imaturidade e sem experiência no assunto, fui ingénua e culpo-me por isso.
De hoje em diante vou concentrar-me mais com o quero, concentrar-me mais em mim, não de forma egoísta mas para que eu também seja importante e não só os outros.
Os meus objectivos mudaram, não deixei de tentar procurar a felicidade que dizem existir, a minha prioridade agora é ser feliz e viver a vida ao máximo, a não querer saber do que pensam ou deixam de pensar, se gostam ou se não gostam. Se a parte do amor ainda me interessa? Claro, porque apesar tudo acho que é uma parte essencial para a minha felicidade. Nesta altura não preciso de algo sério, preciso só de alguém em quem possa confiar, a quem posso contar tudo, que me conheça e que me compreenda, essa pessoa pode nem existir, e também não vou moldar ninguém para tentar ser como gosto mais, vou continuar a tentar encontrá-la mesmo que não exista.
Actualmente também sei que a vida é muito injusta, que as melhores pessoas que temos acabam um dia por desaparecer da nossa vida de forma a nos deixar um pouco perdidos. Aprendi isso perdendo o que podia chamar de “pai” para mim, criou-me como se fosse sua filha e posso afirmar hoje que foi uma das melhores pessoas que conheci, que se pudesse voltava atrás para te dizer que foste uma excelente pessoa e para me conseguir despedir de ti. Cá deixaste um neto por conhecer mas sei que o protegeste e ainda proteges hoje em dia. Apesar de não exprimir isso com família ou amigos nem o tenho dito a ninguém espero que saibas que nunca te vou esquecer porque é simplesmente impossível, que gosto de ti como se fosses meu pai, pelo menos empenhaste esse papel de forma exemplar. Para ti é até um dia.
Não sei se existem os verdadeiros amigos já que vim a descobrir que por vezes os que pensamos ser os nossos amigos para toda a vida nos ignoram, fingem que não existimos estando nós junto a eles. Há aqueles que aparecem de repente, de forma inesperada e que conhecemos há apenas poucos meses mas percebemos logo que vamos poder contar com eles para tudo, que vão lá estar quando precisares. Aos que não te abandonam nos momentos mais difíceis, aos que ficam contigo quando é complicado demais e que não fogem quando se torna um pouco difícil, esses sim podes considerar verdadeiros amigos, os amigos para toda a vida.
Recomeçar a escrever só me fez bem, de certa forma desabafei todos os assuntos e todos os que ainda me faltaram escrever. Tira-se um peso dos ombros, ficamos mais leves, mais livres, mais felizes, ou devíamos.
Os tempos mudam, as formas de agir mudam, os assuntos, emoções e sentimentos permanecem intactos.

Sem comentários: